Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Cai o uso de plástico em supermercardo.

Eu considero o lixo e o seu descarte um dos maiores problemas para um desenvolvimento sustentável. Na verdade, se pensarmos em desenvolvimento sustentável, dar um destino apropriado para ele é na verdade um dos pilares da questão. Por isso, publiquei dois post sobre o assunto, um era sobre o Oceano de Plástico e o outro sobre sacolas. Hoje encontrei uma reportagem no Terra (http://http//invertia.terra.com.br/sustentabilidade/interna/0,,OI3054357-EI10411,00.html) sobre o assunto, segue na integra.
Pesquisa realizada em 12 supermercados de São Paulo revela redução de 12% no consumo de sacolas plásticas no período de 30 dias. A diminuição, ao contrário do que poderia parecer, foi induzida pela indústria plástica em parceria com o comércio. Ela faz parte de uma ofensiva das empresas para estabelecer melhores condições de desenvolvimento do segmento e tomar a frente nas discussões sobre o seu produto, que sofre críticas de ambientalistas por causa da dificuldade de degradação. O projeto do setor prevê investimento de R$ 2,9 milhões. Nos próximos dias será lançada campanha nos meios de comunicação para tratar do consumo responsável de sacolas plásticas.
O presidente da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental, Francisco de Assis Esmeraldo, que representa a cadeia produtiva do setor plástico, também vem negociando com a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo as bases para a construção de uma usina de reciclagem energética.
Saindo do córner - A pesquisa, realizada pela SP Trade em junho, faz parte do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas, criado pelo grupo de trabalho formado pela Plastivida, Instituto Nacional do Plástico e fabricantes do produto. "No fim de 2007, verificamos que as sacolas não cumpriam o que determinava a legislação. O produto era ruim e não estampava a quantidade de peso que suportava. Era preciso saber mais sobre o consumidor e a destinação dada à sacola nas residências. Então, fomos a campo", conta Francisco de Assis.
O Ibope foi contatado para fazer um levantamento. Foram entrevistadas 600 mulheres na Grande São Paulo. "Cem por cento das consumidoras disseram reutilizar as sacolas como saco de lixo, 75% opinaram que as achavam o melhor meio para transportar compras, mas apenas 36% disseram confiar nas sacolas", explica o presidente da Plastivida. Outra pesquisa, feita com 400 pessoas na "boca" do caixa de 12 supermercados, indicou que 61% dos compradores usavam apenas parte da sacola, não ocupavam todo o espaço interno, e 13% utilizavam o produto em duplicidade, quando da embalagem de itens mais pesados.
Estratégia - "A saída era treinar pessoal de Recursos Humanos, gerentes, caixas e empacotadores. Fizemos contato com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e com a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e contratamos uma empresa para desenvolver cartilhas, banners e desenvolver o treinamento", explica Francisco de Assis.
A conclusão do grupo de trabalho foi a de que com a melhoria da qualidade das sacolas agora elas suportam até 6 quilos - e treinamento é possível reduzir o consumo em 30%. "Em termos de Brasil significa diminuir o consumo em 5,4 bilhões, de 18 bilhões para 12,6 bilhões", diz Francisco de Assis. Estudo indica que a melhoria na qualidade da sacola não deverá aumentar o custo dos supermercados. "Acreditamos que com uma redução entre 20% e 25% os custos já empatam."
Em junho foi lançado projeto piloto envolvendo Carrefour, Pão de Açúcar, Rede Eldorado e VIP, num total de 12 lojas, e os resultados positivos começaram a aparecer. Entre os resultados que acabam de ser tabulados está o de que, após as medidas, o uso de sacolas em duplicidade caiu 6,3% e a subutilização, 32,9%. O número de clientes que passou a usar a sacola com a totalidade do espaço interno ocupado passou de 26% para 68%. "Consideramos um grande resultado a redução de 12% no uso do produto em 30 dias. Esse número representa 40% do nosso objetivo", diz o presidente da Plastivida.
Parceria para usina - Francisco de Assis se mostra otimista também no que diz respeito à construção da usina de reciclagem energética em São Paulo. Ele entende que o caminho passa por uma Parceria Público-Privada. A conta dele é simples. "Um quilo de plástico gera a mesma energia do que 1 litro de óleo combustível. Quando o plástico é descartado inadequadamente, se está jogando fora energia, num mundo carente dela", diz.
Ele conta que vários países possuem há anos unidades de reciclagem energética. "O Japão tem 190 usinas, os Estados Unidos, 120, e a França 130. O Brasil não tem nenhuma. Há apenas uma planta piloto no Fundão, no Rio", afirma o dirigente. Na defesa do meio ambiente e da transformação de lixo em capital ele exemplifica a idéia com números: "Uma cidade de 180 mil habitantes gera lixo plástico suficiente para atender 60 mil habitantes com energia elétrica."